Mídias Sociais: “O mundo já é móvel. A grande questão é como se movimentar junto”

Mídias Sociais: “O mundo já é móvel. A grande questão é como se movimentar junto”

Ana Maria Bicca é Analista de Social Media e líder do time de SMM (marketing em mídia social) na agência Cadastra em Porto Alegre e uma das palestrantes do Encontro de Influenciadores Digitais RS – edição Pelotas, que acontece na cidade no dia 17 de setembro. A profissional concedeu entrevista ao portal RSbloggers sobre a conexão das marcas com seus consumidores através das mídias sociais e os demais instrumentos que o universo digital proporciona neste relacionamento e na disseminação de conteúdo.

Jornalista formada pela PUCRS, tem especialização em Política Internacional, pela mesma instituição, e também já trabalhou como repórter, redatora e analista de produtos. Sua atuação como Social Media desde 2010, lhe garantiu uma ampla experiência na área digital, especialmente com produção de conteúdo estratégico, planejamento e monitoramento de redes sociais. Em seu portfólio estão marcas como Melissa, Intercity, L’Oréal, Volvo, Terra, entre outras.

A partir de cases vivenciados por ela durante a carreira e suas constantes atualizações na área, em Pelotas, Ana vai abordar “Conteúdo e mídias sociais: onde e como divulgar?”, um panorama sobre como as marcas podem investir em presença digital e como abusar da criatividade para obter relevância neste meio, além de apontar para o crescente potencial dos influenciadores digitais no auxílio deste processo.

A rede RSbloggers é realizadora do evento em Pelotas e todas as informações sobre ingressos e demais palestrantes estão no site bit.ly/InfluenciadoresPelotas e no evento do Facebook.

Confira abaixo a entrevista:

Por que as marcas hoje devem prestar atenção e estar presentes nas mídias sociais? 

Porque na maioria das vezes é lá que o público delas está. As mídias sociais são mais do que um canal de venda, elas permitem que as marcas mostrem a sua essência e verdade, através do conteúdo, são o ponto de relacionamento, e não apenas de reclamação ou dúvida, mas sim de construção de imagem, retorno e até mesmo fonte de pesquisa sobre o que os consumidores pensam dos produtos. As mídias sociais horizontalizaram uma relação que antes era vertical e hoje as pessoas querem fazer parte até mesmo da construção do produto, querem ser ouvidas, querem dar a sua opinião e querem se sentir próximas. Ao mesmo tempo, esse tipo de relação permite que a marca tenha inúmeras possibilidades de conversar, retornar e até transformar uma reclamação em algo positivo.

E a atuação nestas redes deve variar conforme seu porte/tamanho da empresa?

O tamanho da empresa não diz onde ela deve estar, nem como deve agir. O que vai direcionar o canal e a linguagem é o público que ela deseja atingir, e é muito importante que, onde ela estiver que faça esse relacionamento acontecer. Porque só estar por estar não adianta nada.

“Publicar conteúdos bonitinhos já não se sustenta mais. É muita informação e o público está cada vez mais exigente”

Quais foram as principais mudanças no comportamento de consumo da sociedade após o surgimento (e utilização massiva) das redes sociais? E como o mercado da Comunicação está lidando com estas mudanças?

Acredito que a gente pode dividir essas mudanças em duas fases. A primeira delas, quando as pessoas começaram a utilizar as redes sociais para se relacionar entre si e a grande sacada que as marcas tiveram em se aproximar do público em geral de um modo diferente. Eram as enquetes, os conteúdos questionadores, o entender de um mundo novo e próximo, um novo canal de comunicação entre marca e consumidor. Mas hoje, a meu ver, estamos passando por um outro momento, onde apenas estar lá e publicar conteúdos bonitinhos já não se sustenta mais. É muita informação e o público está cada vez mais exigente. Ele segue a marca não apenas pelo produto e sim pelo contexto em que ela está inserida. Além disso, quando falamos em conteúdos direcionados e patrocinados, essa exigência é ainda maior. As pessoas não querem mais receber coisas que não tenham a ver com elas. Ninguém quer receber uma promoção de noiva se já casou e talvez também não queira mais ver materiais de construção se já montou a casa. Mas quem conta pra marca que essa pessoa que antes era o target já não é mais? Então, temos duas questões aí, a linguagem e o conteúdo, que devem fazer sentido para a audiência, e a tecnologia que cada dia está mais complexa para chegar no consumidor certo. E isso faz com que nós, comunicadores, estejamos sempre correndo atrás do formato mais novo de conteúdo, a linguagem mais próxima, a inteligência que melhor encontra os reais consumidores da marca de forma mais rápida e eficaz.

Qual a maior dificuldade atualmente para que algumas marcas ainda não invistam em (ou desacreditem do) marketing de influência/influenciadores digitais?

Pessoas relevantes para um público específico sempre existiram. As parcerias, ações de seeding fizeram parte da caminhada das marcas nas redes sociais. Só que era um pouco diferente, uma relação que focava mais no que tinha a ver com a marca e talvez não tanto com o público final. A marca ditava mais do que a própria realidade do público e aos poucos isso foi invertendo. Claro que existiam algumas marcas que já se aproveitavam da relevância dessas personalidades pro seu público e sabiam bem como se comunicar. Mas hoje, existe outro tipo de relação e de influência, porque há uma cocriação maior. A marca não quer só chegar ao público, mas atingir os consumidores da forma mais transparente e próxima. O influenciador é o ponto chave na construção do conteúdo, porque é ele quem está lá todos os dias em contato com a sua audiência. Aproximar-se do público que realmente se interessa pela marca, que compra e que acredita nela está cada vez mais difícil. Mas o que vai decidir a escolha por trabalhar ou não junto a um influenciador? A relevância que ele tem com o público que a marca quer atingir e o retorno que ele pode dar. E muitas vezes, esse convencimento aparece em forma números, sejam eles de engajamento, performance, audiência… O importante é mostrar dados que justifiquem o investimento, ainda mais em um ano de crise.

Como tu percebe o mercado gaúcho neste aspecto? As marcas locais já estão prestando atenção nestes novos profissionais e nas novas mídias?

Vejo um movimento, mas acredito que ainda precisa evoluir dos dois lados, a marca entendendo melhor em como pode aproveitar essa relação pra chegar em um público mais específico e os influenciadores aparecendo mais em áreas e temas variados.

Grande parte das estratégias de marcas com influenciadores inclui campanhas nas redes sociais. Na tua opinião porque este casamento (influenciadores + redes sociais) dá tão certo?

Pela facilidade que é hoje se aproximar do público, pelos diferentes formatos e ações que são possíveis com um investimento que muitas vezes não é tão alto quanto uma mídia off-line e, principalmente, pela grande capacidade de disseminação dos conteúdos quando são relevantes. É o boca a boca da internet. Quantas milhões de vezes por dia não tem uma mensagem, aberta ou privada como “alguém tem um xxxxxx pra me indicar?” E nesse xxx vai pessoa, marca, produto, serviço…. Quem já não fez uma pergunta assim?

Quais fatores devem ser levados em consideração para um profissional ou marca conquistar relevância e se destacar nas mídias sociais?

Não existe uma receita que se vai seguir e com certeza vai funcionar. Mas existem dois fatores que são essenciais pra se ganhar destaque: conteúdo e relacionamento. Conteúdo é a verdade da marca ou do profissional apresentada de forma criativa e relevante, são aquelas informações que talvez não vendam o produto ou serviço naquele momento, mas que vão fazer as pessoas acompanharem nas redes, lembrarem-se da marca em um momento necessário, indicarem um serviço ou até mesmo fazerem um elogio, divulgação espontânea. E o relacionamento é a construção da marca em si, é mostrar o porquê de estar ali, é tentar resolver, ouvir, deixar fazer parte e envolver. E claro, o sucesso vai estar em como apresentar esse conteúdo e direcionar o relacionamento, pensando sempre no público e no contexto.

Como planejar uma estratégia duradoura nas mídias sociais se sabemos que Facebook, Instagram e outras principais redes estão mudando constantemente, fazendo muitas vezes as marcas reverem seus investimentos nestes canais?

Acho que quando a gente fala em internet, redes sociais, devemos pensar em mudanças, adaptações e oscilações. Tu podes ter uma estratégia hoje que daqui a dois meses vai mudar ou vai ter que se adaptar. Essa dinâmica faz parte do dia a dia de quem trabalha com o digital. Mas a marca também não vai ser esquizofrênica e, cada dia, agir de uma forma, não é isso. A menos que ela mude o seu posicionamento de marca, as definições de linguagem e relacionamento vão permanecer por um bom tempo. É importante pensar, antes de tudo, quem é essa marca que está falando e com quem ela vai falar, porque isso não muda de uma hora pra outra e permite que os conteúdos sejam variados e que os formatos se diferenciem, mantendo a cara da marca, a assinatura sem assinar, o conteúdo sem dúvida de onde veio.

“A tendência não está tanto em um formato ou rede específica e sim no entendimento do momento certo pra aliar uma tecnologia específica com a relevância que pode ter na vida do teu consumidor de forma criativa”

Alguns dizem que o Snapchat é um aplicativo para se prestar mais atenção daqui pra frente, com a tendência de ter sua utilização cada vez mais valorizada pelas empresas. Tu concorda? E pra ti, quais seriam as outras tendências nesta área para os próximos anos?

As opções são cada vez maiores, os formatos mudam, as pessoas se cansam, querem algo novo e, ao mesmo tempo em que se quer receber algo direcionado e relevante, batem na porta questões de obtenção de dados e privacidade. O Snapchat agrega uma série de questões que mesclam essa dinamicidade, diversão, novidade a cada dia e uma certa privacidade. O filtro novo, o acompanhamento do que os outros estão fazendo, o diferente que, a princípio, não fica registrado. Antes eram os mais jovens que estavam entrando na rede, recentemente, a gente já vê pesquisas de que a faixa etária está avançando. Até quando vai ser novidade? Até quando conseguir divertir e for relevante pra quem usa. E onde entram as marcas nisso tudo? Nos pequenos momentos em que elas podem fazer parte dessas histórias. Seja num filtro, como fez a Taco Bell no México transformando a cabeça das pessoas em tacos divertidos, em um momento em que isso fez sentido, uma marca que patrocina um evento específico e que faz com que as pessoas se divirtam com isso, sejam prata, ouro ou bronze ou se vejam em uma final da Champions League. De novo, aqui e em qualquer outra rede é a criatividade e apropriação do momento da vida das pessoas que conta. Por que um aplicativo como o do Pokémon Go deu certo? Como ele entra no dia a dia? O que ele tem de tão diferente? O futuro é vídeo, é realidade aumentada? Pra mim, a tendência não está tanto em um formato ou rede específica e sim no entendimento do momento certo pra aliar uma tecnologia específica com a relevância que pode ter na vida do teu consumidor de forma criativa, a experiência que ele vai ter com a marca. Um momento de diversão ou lazer, facilidades na forma de comprar, pagar, ser impactado pela marca, usar o produto. Pra muita gente, o mundo já é móvel. A grande questão é como se movimentar junto.

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